A
noite acabara de começar, uma tempestade se aproxima e os barulhos dos
respingos ecoam pelo quarto, a única luz que ilumina o ambiente é a tela do
computador, césar digita rapidamente enquanto a fumaça do cigarro é iluminada
juntamente com seu rosto, ele está atônito e em busca de descobrir arquivos
guardados pelos servidores da ABIN – Agência Brasileira de Inteligência – sobre
uma operação ultra secreta envolvendo militares em uma pequena cidade do
interior do Pará, ele sabia que estava colocando sua vida em risco, porém ele
não podia deixar de descobrir a verdade e mostrar ao mundo o que o governo
brasileiro sabia sobre os experimentos.
Enquanto
ele digitava, o telefone toca e ele atende, com a voz trêmula:
-Alô?
– uma respiração profunda estava do outro lado
-Alô
porra! – e nada de respostas, apenas a respiração
Ele
bate o telefone com raiva “Quem será que é esse desgraçado?” se perguntava
enquanto acendia outro cigarro e voltava para sua pesquisa
Quando
ele se deu conta, lá estava ele olhando para o que ele imaginava, o WikiLeaks
tinha conseguido vários documentos ultrasecretos e ele, com seu conhecimento de
computação, encriptou boa parte deles e guardou em um pendrive, quando de
repente a paz de sua casa é quebrada, ele escuta alguém caminhando
vagarosamente no piso térreo, elepega o pendrive com os arquivos e esconde num
buraco no teto de seu escritório, ao se aproximar da porta para tentar enxergar
algo, ele se depara com dois homens de terno, um deles ajeita a luva que ele
usava e diz:
-Senhor
César, sabemos que está ai e sabemos o que o senhor fez, o senhor está colocando
em risco a segurança nacional – enquanto eles falam eles sacam suas armas e
colocam silenciadores.
César,
sem muita chance de escapar, resolve pular no parapeito da janela, a noite era
muito chuvosa, nesse meio tempo os homens invadem o escritório e começam a
atirar, césar consegue pular mas leva um tiro de raspão na perna, ele cai,
porém consegue correr em direção a um matagal que ficava perto de sua casa em
um bairro afastado, os dois homens o seguem correndo e atirando em sua direção,
ele entra no matagal e correndo sem rumo, ele sabia que ali seria o seu fim,
quando ele finalmente se cansou, ele parou para respirar e procurar um meio de
sumir dali, ele precisava se encontrar com
seu contato que ficava em Brasília, quando ele finalmente consegue achar
uma estrada, ele chega a um bar e pede por socorro, tudo que ele viu foi uma
cena assustadora, todos estavam mortos, com tiros na cabeça, ao chegar no
balcão, ele leva uma coronhada e desmaia.
Ao
acordar, ele se depara com uma luz muito forte em seus olhos, ele estava
sentado numa cadeira e amarrado, ele estava sozinho em uma sala que parecia um
depósito de ferramentas desses de posto de estrada, ele começava a se
arrepender de ter feito aquilo, ele nao podia combater o governo, ele sabia que
ele iria morrer. O Silencio de seus pensamentos foram encerrados quando ele
escuta alguem abrindo a porta, o homem de terno anda vagarosamente através da
sala, pega uma cadeira e coloca na frente dele, ele calmamente senta, acende um
cigarro e começa a falar:
-olá
senhor césar, o senhor quase conseguiu fugir de nós, achou que não iríamos
encontrar voce nesta cidade de bosta, pois saiba que temos olhos e ouvidos em
todos os lugares, o governo não nos paga para ficarmos monitorando favelas e
manifestações, nosso departamento faz coisas muito mais importantes, e presumo
que o senhor saiba muito bem de qual departamento estou falando senhor césar –
quando ele termina de falar, o homem pega um envelope e de dentro dele tira uma
folha com várias informações e começa a falar – Senhor César Medeiros Conti,
nascido em 1 de agosto de 1987 na cidade de São José dos Campos, sangue do tipo B,
formado em Engenharia da Computação na Universidade de São Paulo, trabalhou por
muito tempo no Centro Técnico Aeroespacial, CTA, temos todo o seu registro,
monitoramos voce desde o seu envolvimento com o projeto LAMBDA orquestrado pelo
CTA em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais.
César
não entendia como aqueles homens tinham conseguido aquelas informações, mas ele
tinha certeza que eram homens poderosos, homens que matariam para manter
escondido a verdade que ele tanto procurou.
-Tem
algo a dizer senhor césar? – disse o homem enquanto guardava os papéis e se
preparava para acender outro cigarro.
-Vá
pro inferno seu engomadinho do governo – antes dele terminar a frase, o homem
apaga um cigarro em seu olho.
-AAAAH
SEU DESGRAÇADO, VOCE VAI ME PAGAR! – ele se debatia na cadeira de dor e
sofrimento
-Senhor
César, este é um novo milênio, todos os governos fazem suas pesquisas e eles
pagam rios de dinheiro para manter essas informações longe de pessoas como
você, que querem provocar um caos mundial, as pessoas são como primatas, se
elas sabem dessas coisas, elas irão entrar em um modo primitivo de
sobrevivência e a sociedade entrará em colapso, o senhor tem idéia da magnitude
do que o senhor quer revelar? Agora me diga, onde estão os arquivos que o
senhor conseguiu?
Ao
terminar, césar apenas olha com um sorriso no rosto e diz:
-Não
importa, a verdade nunca ficará escondida para sempre, nossa memória irá
sobreviver, nossos ideais irão sobreviver, e sempre existirão pessoas como eu,
eu nunca irei dizer onde os arquivos estão.
-Bem
senhor césar, eu tentei ajudá-lo – o homem saca sua arma e desfere um tiro
fatal na cabeça de césar, acabando com um dos homens que mais se sacrificou
para mostrar a verdade a quem quisesse saber.
Ao
executar o serviço, o homem pega seu telefone e faz uma ligação para uma pessoa
desconhecida:
-Senhor,
conseguimos apagar o alvo numero sete
A
voz do outro lado da linha então diz:
-Ótimo,
e os arquivos conseguiu?
-Não
senhor, ele não quis revelar, mas acreditamos que esteja guardado em algum
dispositivo de armazenamento portátil.
-então encontre-o! A segurança nacional depende destes arquivos! – a pessoa
desconhecida então desliga o telefone abruptamente.